Mercúrio no atum: Compreender os riscos, os limites e as soluções
Preocupações recentes com o mercúrio no atum
As recentes descobertas da Associação BLOOM sobre a contaminação por mercúrio das conservas de atum atraíram a atenção dos meios de comunicação social e do público. De acordo com um estudo publicado em 29 de outubro de 2024, 100% das amostras testadas em cinco países europeus continham vestígios de mercúrio e 57% excediam o limite de 0,3 mg/kg.
Estes resultados sublinham a importância de medidas específicas de carácter científico e regulamentar para melhor compreender os riscos relacionados com o mercúrio e proteger os consumidores.
O que é a contaminação por mercúrio?
O mercúrio é um metal natural libertado no ambiente através de processos naturais e de actividades humanas. Uma vez libertado, o mercúrio sofre transformações e ciclos complexos entre a atmosfera, os oceanos e a terra. Existe em três formas químicas principais:
- Mercúrio elementar ou metálico (Hg⁰)
- Mercúrio inorgânico (compostos mercurosos (Hg₂²⁺) e mercúricos (Hg²⁺) )
- Mercúrio orgânico, sendo o metilmercúrio a forma mais comum na cadeia alimentar.
O metilmercúrio, a forma mais tóxica, acumula-se no peixe e no marisco, apresentando sérios riscos para a saúde, em particular para:
- Mulheres grávidas,
- Crianças, e
- Mulheres em idade fértil.
Este composto foi classificado pela International Agency for Research on Cancer (IARC) como possível carcinogéneo para o ser humano (Grupo 2B), especialmente no que diz respeito ao cancro do rim. Além disso, a World Health Organization (WHO) identifica o mercúrio como uma das dez principais ameaças químicas à saúde pública mundial.
Mercúrio no atum: até que ponto são os níveis elevados?
A acumulação de mercúrio nos peixes varia consoante a espécie. O atum, sendo um peixe predador, contém normalmente níveis mais elevados de metilmercúrio devido à bioacumulação. Os estudos mostram que os valores podem variar:
- Atum tamanho pequeno (por exemplo, gaiado): Níveis mais baixos de mercúrio, o que o torna uma escolha mais segura.
- Atum voador e atum albacora: Contêm frequentemente níveis mais elevados de mercúrio, especialmente nas variedades em conserva.
De acordo com o Regulamento (UE) 2023/915 da UE, os níveis máximos permitidos de mercúrio são:
- 0.3 mg/kg para peixes de menor risco, como o bacalhau, o arenque e o salmão.
- 1 mg/kg para peixes de alto risco como o atum, o espadarte e o marlim.
- 0.5 mg/kg para outras espécies não incluídas nas categorias 3.3.1.2 e 3.3.1.3 do regulamento.
Riscos para a saúde decorrentes da presença de mercúrio no atum
O metilmercúrio tem como alvo principal o sistema nervoso, apresentando os maiores riscos para o desenvolvimento do cérebro dos fetos e dos bebés. Os sintomas de envenenamento por mercúrio incluem:
- Perturbação das funções cognitivas e motoras,
- Lesões neurológicas,
- Aumento do risco de certos tipos de cancro (por exemplo, cancro do rim).
Como consumir atum em segurança
A EFSA recomenda a limitação do consumo de atum para os grupos vulneráveis:
- As mulheres grávidas devem evitar espécies com potencial elevado teor de mercúrio
- Opte por espécies de atum de menor tamanho para reduzir a exposição ao mercúrio.
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