Dia Mundial da Segurança Alimentar: Transformar dados em ação para obter alimentos mais seguros

World Food Safety Day 2026
  • O tema do Dia Mundial da Segurança Alimentar de 2026, “From burden to solutions“, destaca a importância de transformar a ciência em ações concretas no domínio da segurança alimentar.
  • As doenças de origem alimentar causam 420 000 mortes por ano; as crianças com menos de 5 anos representam quase um terço dessas mortes.
  • Riscos emergentes como o Clostridium botulinum, os PFAS e a resistência aos antibióticos estão a aumentar os desafios para os profissionais de segurança alimentar em todo o mundo.
  • Consulte o Blue Paper de 2026 e saiba como enfrentar os desafios mais críticos da segurança alimentar da atualidade com orientações especializadas e com base científica.

A 7 de junho, a comunidade global celebra o Dia Mundial da Segurança Alimentar, sob a égide da Organização Mundial da Saúde e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). É um momento para nos concentrarmos num objetivo comum: tornar os alimentos mais seguros através de um melhor conhecimento científico e uma melhor tomada de decisões.

O tema de 2026, “From burden to solutions – safe food everywhere”, está em perfeita sintonia com a missão da Mérieux NutriSciences. Com base em mais de 50 anos de experiência científica, fornecemos à indústria alimentar soluções inovadoras para responder às suas necessidades em constante evolução. Contribuímos para garantir a segurança alimentar, a saúde e a sustentabilidade a nível global através de uma gama completa de serviços, incluindo análises microbiológicas, análises nutricionais, auditorias, embalagem, rotulagem, apoio regulamentar e muito mais.


O impacto atual das doenças de origem alimentar

As doenças de origem alimentar continuam a ser um problema grave em todo o mundo. Segundo a OMS:

  • Todos os anos, 600 milhões de pessoas (quase 1 em cada 10 a nível mundial) adoecem devido a alimentos contaminados.
  • As doenças de origem alimentar causam 420 000 mortes por ano.
  • As crianças com menos de 5 anos representam 40 % deste número, sendo responsáveis por 125 000 mortes por ano.

Em 2026, prevê-se que a OMS publique a sua versão atualizada do Relatório sobre o Impacto das Doenças de Origem Alimentar, apresentando as primeiras estimativas a nível nacional por tipo de risco, o que permitirá uma ação mais localizada e eficaz.


From Burden to Solutions” – Por que é que o tema do Dia Mundial da Segurança Alimentar de 2026 tem tanto impacto

“As doenças de origem alimentar continuam a representar um grave problema, mas são, em grande parte, evitáveis”, afirmou Markus Lipp, responsável sénior pela segurança alimentar e qualidade da FAO. “Através de normativas científicas e de uma estreita colaboração com os governos, a FAO continuará a apoiar soluções personalizadas que transformem os dados em ação e reforcem os sistemas nacionais de controlo alimentar.”

A atualização de 2026 do nosso Blue Paper foi realizada por uma rede global de mais de 120 especialistas, com o objetivo de colmatar a lacuna entre a complexidade científica e técnica e a tomada de decisões operacionais por parte dos profissionais de segurança alimentar em todas as áreas da cadeia de abastecimento global.

“O Blue Paper simplifica a gestão da segurança alimentar ao condensar uma vasta quantidade de literatura científica num único recurso altamente estruturado. O seu formato uniformizado através dos vários tópicos permite aos profissionais evitar a consulta de centenas de publicações individuais e localizar rapidamente informações úteis. Ao alinhar os capítulos diretamente com os interesses específicos do setor, permite aos utilizadores navegar com facilidade e extrair as informações precisas de que necessitam para as suas prioridades atuais.

Muriel Dubos, Technical Director Microbiology EMEA, Analytical HUB


Principais desafios em matéria de segurança alimentar – Perspetivas dos nossos especialistas

A atualização de 2026 do Blue Paper abrange 15 matrizes alimentares, incluindo novas entradas como aves, pescado , frutas e legumes, e suplementos alimentares. Além disso, aborda 32 temas relacionados com a segurança, abrangendo riscos microbiológicos e químicos.

Riscos microbiológicos

Os agentes patogénicos continuam a ser uma das principais causas de doenças de origem alimentar:

  • A Salmonella, a Campylobacter e a Escherichia coli enterohemorrágica estão frequentemente associadas à carne mal cozinhada e aos produtos hortícolas frescos.
  • A Listeria monocytogenes representa riscos graves para as populações vulneráveis, incluindo idosos, mulheres grávidas e bebés.
  • O aumento da resistência aos antibióticos está a tornar o tratamento e o controlo cada vez mais complexos.

Entre as preocupações emergentes, o Clostridium botulinum, recentemente incluído no Blue Paper, requer uma atenção especial. Esta bactéria sintetiza neurotoxinas altamente tóxicas em ambientes anaeróbicos e está normalmente associada a produtos alimentares processados de forma inadequada. Embora a incidência do botulismo seja rara, a sua potencial letalidade exige um diagnóstico clínico e uma intervenção imediatos.

“Embora os produtos em pó não favoreçam, em geral, o crescimento microbiano ativo, podem servir de vetor para esporos persistentes introduzidos através das matérias-primas ou do ambiente de processamento. A secção dedicada ao Clostridium botulinum do Blue Paper fornece o quadro essencial para melhorar os protocolos de garantia dos fornecedores, as normas de higiene ambiental e a implementação de tecnologias de deteção avançadas, reforçando assim uma abordagem abrangente e sistemática para a mitigação de riscos.”

Michele Smoot, Senior Director of Microbiology, Analytical HUB


Adicionalmente, Sripriya Agaram, Diretora Técnica de Microbiologia para a América do Norte, apresenta a seguinte perspetiva técnica sobre as complexidades da gestão de riscos na categoria das ervas aromáticas e especiarias:

“Encare as ervas aromáticas e as especiarias como um ingrediente de risco, e não como meros condimentos. Uma vez que estes podem ser adicionadas após o processamento, riscos como salmonela, chumbo, pesticidas, alergénios podem dar origem à retirada do produto e representar riscos para a saúde. Reforce a qualificação dos fornecedores, verifique a origem e os controlos de processamento, exija tratamentos validados de redução microbiana sempre que necessário e recorra a análises baseados no risco para detetar agentes patogénicos, metais pesados, resíduos, alergénios e indicadores de fraude alimentar.”

Os agentes virais, incluindo o norovírus e a hepatite A, juntamente com vários parasitas, agravam ainda mais o peso global das doenças de origem alimentar, frequentemente transmitidas através de fontes de água contaminadas, marisco cru ou produtos de origem animal infetados.

Riscos químicos

Os contaminantes químicos representam também uma preocupação significativa e crescente:

  • Toxinas de origem natural (por exemplo, micotoxinas).
  • Poluentes ambientais, tais como metais pesados e poluentes orgânicos persistentes (POPs).
  • Contaminantes como as substâncias per- e polifluoroalquílicas (PFAS) representam um desafio particular devido à sua persistência e à sua utilização generalizada ao longo das cadeias de abastecimento.

“Os PFAS estão frequentemente “ocultos” na cadeia de abastecimento como auxiliares de processo (lubrificantes ou revestimentos). A sua resistência química garante uma longa persistência no ambiente: não se degradam naturalmente, o que leva à bioacumulação no solo, na água e, por fim, nos tecidos animais e humanos. Representam riscos para a saúde, incluindo perturbações hormonais, redução da fertilidade e aumento do risco de cancro. As autoridades, nomeadamente na UE, estão a estabelecer limites regulamentares e a promover a sua substituição sempre que possível. É essencial limitar a exposição através de um plano analítico bem definido, capaz de monitorizar tanto os produtos acabados como as matérias-primas.

Paolo Matteini, Technical Director Chemistry EMEA

“Recentemente, os metais pesados na cadeia alimentar parecem estar a receber mais atenção do que nunca. Isso parece-me estranho, porque se há algo que sempre esteve presente nos nossos alimentos, são os metais pesados. Descritos com maior precisão como elementos tóxicos, estes existem há muito tempo no mundo natural e no mundo industrial que criámos. Como as concentrações de elementos tóxicos variam consoante a localização geográfica, as alterações na cadeia de abastecimento podem alterar significativamente os níveis detetados nos produtos finais. Uma monitorização cuidadosa, aliada a uma qualificação rigorosa dos fornecedores, ajuda a evitar picos inesperados para níveis potencialmente perigosos.

Walter Brandl, Technical Director, Chemistry North America


Transformar o conhecimento em ações

O Dia Mundial da Segurança Alimentar de 2026 é um aviso claro: o impacto das doenças de origem alimentar é real, mensurável e, em grande parte, evitável. Na Mérieux NutriSciences, a nossa missão é transformar a inovação científica em soluções práticas para a indústria alimentar. O Blue Paper foi desenvolvido especificamente para capacitar os profissionais de segurança alimentar, transformando dados complexos sobre segurança, qualidade e sustentabilidade em ideias claras e práticas. Ao sintetizar as regulamentações globais em evolução e as tendências emergentes em matéria de contaminantes, este recurso permite aos decisores gerir os riscos imediatos, ao mesmo tempo que se preparam proativamente para os desafios do futuro.


Consulte a versão de 2026 do Blue Paper:

Atualização 2026 do Blue Paper – Vídeo de demonstração

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Sobre o Blue Paper