Bisfenol A – Os desafios analíticos resultantes da reavaliação da EFSA.
A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) publicou a sua reavaliação da segurança do bisfenol A (BPA) em 19 de Abril de 2023.
A EFSA reviu o seu projeto de avaliação dos riscos do bisfenol A e, assim, fixou um novo valor de DDT (Dose Diária Tolerável, quantidade tolerável de uma substância ativa que é considerada inofensiva para a saúde de um ser humano em caso de ingestão diária ao longo da vida) de 0,2 ng/kg de peso corporal por dia. Em comparação com a DDT provisória de 2015 (4 µg/kg de peso corporal por dia), o novo valor da DDA foi reduzido pelo fator de 20000. A EFSA afirma que, de acordo com os dados atuais sobre a exposição alimentar ao BPA, a nova DDT é excedida em todos os grupos etários com exposição moderada e elevada, embora se considere que a ingestão global de BPA está a diminuir.
A EFSA justifica a redução acentuada do valor da DDT com novas descobertas sobre os possíveis efeitos do BPA no sistema imunitário. O BPA está, também, classificado como tóxico para a reprodução, pelo que é considerado uma substância que suscita grande preocupação. Não podem ser excluídos os efeitos carcinogénicos e os efeitos nos sistemas nervoso e cardiovascular. A substância é classificada como um desregulador endócrino. Em doses elevadas (aprox. 100x DDT), o BPA pode causar danos agudos nos rins e no fígado.
O BPA e outros bisfenóis (compostos com grupos funcionais variáveis entre 2 anéis de fenol, por exemplo, bisfenol F e S) são utilizados, entre outras aplicações, no fabrico de materiais em contacto com os alimentos feitos de plásticos de policarbonato (louça de mesa, garrafas reutilizáveis de bebidas, recipientes de conservação e, anteriormente, biberões), revestimentos de resina epóxi das latas, papel térmico e brinquedos. No caso dos alimentos os produtos enlatados (especialmente produtos de carne e peixe) são particularmente afetados, para os quais o BPA migra dos revestimentos das latas.
Para além do DDT como limite toxicológico existem limites de migração específica (LME) para a transferência de BPA de plásticos, bem como de tintas e revestimentos e uma proibição da importação e comercialização de biberões de policarbonato fabricados com BPA. Além disso, são fixados níveis máximos para o BPA no papel térmico, em brinquedos, na água potável e uma proibição da sua utilização no fabrico e tratamento de produtos cosméticos.
A Mérieux NutriSciences coloca ao dispor todo o seu conhecimento e capacidade técnica para a quantificação de bisfenol A.
Pode ver o nosso último webinar (realizado a 19/04/2023) sobre a nova publicação da EFSA e a nossa implementação da metodologia de análise do bisfenol A.
Referências:

