Alcanos Policlorados (parafinas cloradas): um contaminante emergente na indústria agroalimentar
O que são e como contaminam a cadeia alimentar?
Os alcanos policlorados, também conhecidos por parafinas cloradas são um grupo de substâncias químicas industriais sintéticas, que surgem como subproduto do processo cloro-álcali utilizado para produzir soda cáustica.
Durante este processo, gases de cloro tóxicos são incorporados em frações de óleos minerais, permitindo a sua utilização em diversas aplicações industriais., nomeadamente como:
Estima-se uma produção anual superior a 1 milhão de toneladas.
Do ponto de vista químico, estes composto são n-alcanos nos quais vários átomos de hidrogénio foram substituídos por átomos de cloro. Devido às múltiplas possibilidades de cloração (comprimento da cadeia, posição e grau de substituição), não se tratam de compostos únicos, mas sim de misturas extremamente complexas de numerosos isómeros.
Classificam-se, consoante o comprimento da cadeia, em:
Devido à sua elevada persistência no ambiente, estes compostos podem integrar-se na cadeia alimentar. Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a principal via de exposição humana é a ingestão de alimentos.
Qual é o risco para a saúde?
O perfil toxicológico de algumas parafinas cloradas levanta preocupações:
Estado da investigação na Europa
Estudos recentes confirmam a presença destas substâncias em várias matrizes alimentares:
Quais são as novas exigências na Europa?
Devido à sua perigosidade:
- As frações de cadeia curta (C10–C13) foram proibidas na UE em 2012.
- Foram posteriormente incluídas (2019) no Anexo A da Convenção de Estocolmo (The Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants).
- As frações de cadeia média (C14–C17) foram igualmente incluídas em 2025.
Recomendação de monitorização prevista
Embora ainda não existam notificações no sistema RASFF, a União Europeia publicou, em março de 2025, uma recomendação para recolha de dados sobre a presença de parafinas cloradas em diferentes categorias alimentares, nomeadamente:
Para melhorar a base de dados e permitir uma melhor avaliação da exposição, a Comissão Europeia prevê uma recomendação de monitorização para o período 2026–2029.
Os Estados-Membros e operadores do setor alimentar deverão recolher e reportar dados à EFSA sobre a presença de PCA nos alimentos.
Serão considerados valores indicativos de ação (trigger values) para a soma de PCA (C10–C17), determinados por métodos de triagem (GC-MS ou GC-MS/MS):
Quando estes valores forem ultrapassados, deverão ser realizadas investigações adicionais para identificar fontes de contaminação.
Conclusão
As parafinas cloradas são contaminantes emergentes com:
A monitorização analítica e a antecipação regulatória serão críticas para garantir a conformidade e proteger o consumidor.

