Análise de NIAS: a incógnita que põe à prova a segurança da embalagem alimentar

NIAS-Analyse für Lebensmittelverpackungen

NIAS: uma incógnita na segurança das embalagens alimentares

No âmbito dos materiais em contacto com alimentos, as NIAS (Non-Intentionally Added Substances) representam uma das incógnitas mais complexas e desafiantes para a segurança da embalagem alimentar.

As NIAS são substâncias que não são adicionadas intencionalmente aos materiais, mas que podem formar-se como resultado de reações químicas durante o processo de produção, da degradação de substâncias de partida, da presença de impurezas ou ainda de fenómenos de contaminação.

Por definição, estas substâncias não são previamente conhecidas nem completamente identificáveis a priori, o que torna particularmente complexa a sua avaliação.

Enquadramento regulamentar

O Regulamento (CE) n.º 1935/2004 estabelece que os materiais e objetos destinados a entrar em contacto com alimentos não devem transferir os seus constituintes para os alimentos em quantidades suscetíveis de constituir um perigo para a saúde humana.

Neste contexto, também as NIAS devem ser consideradas, sendo necessário proceder à sua identificação e avaliação, mesmo quando não estão especificamente incluídas em listas positivas.

Este princípio insere-se numa abordagem baseada na segurança global do material e na necessidade de garantir um elevado nível de proteção do consumidor.

Porque são as NIAS um desafio

As NIAS representam um desafio significativo porque não podem ser totalmente previstas nem definidas antecipadamente.

Podem ter origem em diferentes fontes, tais como:

  • Reações químicas que ocorrem durante o fabrico.
  • Processos de degradação dos materiais.
  • Impurezas presentes nas matérias-primas.
  • Fenómenos de contaminação ao longo da cadeia de produção.

Esta variabilidade implica que cada material possa apresentar um perfil específico de substâncias, exigindo uma abordagem analítica adequada a cada caso.

A importância da análise

A identificação das NIAS requer o recurso a técnicas analíticas avançadas, capazes de detetar substâncias presentes em níveis muito baixos.

A interpretação dos dados analíticos baseia-se em parâmetros como:

  • O tempo de retenção.
  • O espectro de massa.
  • Os padrões de fragmentação.

A análise permite reduzir a fração de substâncias desconhecidas e melhorar a caracterização do material.

Avaliação do risco

Para além da identificação, é necessário proceder à avaliação do risco associado às substâncias detetadas.

Esta avaliação baseia-se em:

  • Dados científicos disponíveis.
  • Abordagens toxicológicas.
  • Critérios de segurança reconhecidos.

O objetivo é assegurar que as substâncias presentes não representam um risco para a saúde do consumidor.

Uma abordagem integrada

A gestão das NIAS requer uma abordagem integrada que combine:

  • Análise laboratorial.
  • Interpretação dos resultados.
  • Avaliação toxicológica.

Só através desta abordagem é possível garantir a conformidade com os requisitos regulamentares e a segurança dos materiais em contacto com alimentos.

O papel da experiência analítica

A complexidade associada às NIAS torna essencial a disponibilidade de competências técnicas especializadas e de metodologias analíticas adequadas.

A experiência neste domínio permite uma identificação mais eficaz das substâncias e uma avaliação mais robusta dos resultados.

Como as empresas devem atuar

Perante este cenário, as empresas devem integrar a avaliação das NIAS nos seus sistemas de controlo, assegurando:

  • A monitorização dos materiais utilizados.
  • A colaboração com laboratórios especializados.
  • A disponibilização de documentação adequada para demonstrar conformidade.

A gestão das NIAS constitui um elemento essencial para garantir a segurança da embalagem alimentar.

Perguntas frequentes sobre NIAS

São substâncias não adicionadas intencionalmente aos materiais em contacto com alimentos, podendo formar-se durante o fabrico ou utilização.

Sim. Devem ser identificadas e avaliadas no âmbito do Regulamento (CE) n.º 1935/2004.

Porque não são previsíveis e podem variar consoante os materiais e processos utilizados.

É necessária para demonstrar conformidade e garantir a segurança dos materiais.

Através de análises laboratoriais avançadas e avaliação toxicológica adequada.