Como estabelecer um plano de controlo analítico eficaz na indústria alimentar

Porque é que um plano de controlo analítico é crítico na indústria alimentar?

A segurança dos alimentos assenta numa combinação de boas práticas, HACCP e verificação objetiva, onde se inclui a análise laboratorial. Os Regulamentos (CE) n.º 852/2004 e 853/2024 exigem que os operadores implementem programas de segurança baseados nos princípios HACCP, garantindo a higiene dos alimentos em todas as fases da cadeia, desde a produção primária até ao consumidor final.

No mesmo sentido, a legislação Europeia (e Nacional) estabelece:

  • Teores máximos de contaminantes em alimentos – Regulamento (UE) 2023/915, que republica a legislação anterior (1881/2006) e fixa limites máximos para diversos contaminantes químicos, com o objetivo de proteger a saúde pública, incluindo grupos vulneráveis.
  • Critérios microbiológicosRegulamento (CE) n.º 2073/2005, que define critérios de segurança e de higiene do processo e obriga os operadores a efetuar amostragens, análises e medidas corretivas para demonstrar o cumprimento dos mesmos.
  • Resíduos de pesticidasRegulamento (CE) n.º 396/2005, que estabelece LMR – limites máximos de resíduos de pesticidas em géneros alimentícios e alimentos para animais de origem vegetal e animal.
  • Aditivos alimentaresRegulamento (CE) n.º 1333/2008 e respetivas especificações (Regulamento (UE) n.º 231/2012), que harmonizam a utilização de aditivos e exigem o seu controlo dentro dos limites autorizados.
  • Informação ao consumidor e rotulagemRegulamento (UE) n.º 1169/2011 que estabelece regras para rotulagem geral de alimentos.
  • Materiais em contacto com alimentosRegulamento (CE) n.º 1935/2004 que define regras para materiais e objetos destinados a entrar em contacto com alimentos (embalagens, utensílios, equipamentos, etc.).
  • Regulamentos OGMRegulamento (CE) n.° 1829/2003, relativo a géneros alimentícios e alimentos para animais geneticamente modificados e Regulamento (CE) n.° 1830/2003 relativo à sua rastreabilidade e rotulagem.
  • Resíduos de medicamentos veterinários – Regulamento (UE) 2019/6 e Regulamento (UE) n.º 37/2010.
  • Água – nomeadamente água destinada ao consumo humano, controlo de Legionella e águas residuais industriais.
  • Fraude alimentar – Esta é tratada como parte integrante da legislação geral da UE sobre segurança e controlo oficial dos alimentos.
  • Legislação de géneros alimentícios específicos (suplementos, alimentos para grupos específicos, etc.)
  • Regras de amostragem, definidas em diversos regulamentos.
  • Controlo oficiais.

Neste contexto, um plano de controlo analítico estruturado (por vezes designado plano de autocontrolo) funciona como a “tradução prática” destes requisitos: define o quê, porquê, quando, onde e como analisar, assegurando que o sistema HACCP, IFS, BRCGS ou FSSC 22000 é efetivo, e não apenas documental.

Desenvolvimento do plano de controlo analítico

Como desenhar e documentar um plano de amostragem e análise, baseado no risco, que suporte o plano HACCP e cumpra simultaneamente com legislação europeia aplicável, requisitos de clientes e sistema de certificação:

Abrangência típica:

  • Matérias-primas e ingredientes
  • Identificação de perigos químicos (contaminantes, pesticidas, resíduos de medicamentos veterinários, aditivos, alergénios), físicos e microbiológicos relevantes por tipo de produto e origem.
  • Definição de parâmetros analíticos mínimos e reforçados em função do risco (ex.: micotoxinas, metais pesados, pesticidas, patogénicos, aditivos específicos).
  • Produtos acabados
  • Controlo de conformidade com critérios microbiológicos legais e/ou especificações do cliente (p. ex. Listeria monocytogenes, Salmonella, E. coli).
  • Verificação de contaminantes, aditivos, composição nutricional e rotulagem quando aplicável.
  • Controlo ambiental de produção
  • Programas de controlo ambiental para superfícies em contacto e não contacto com alimentos, manipuladores, ar, água de processo, condensados, drenagens, etc.
  • Integração com os programas de limpeza e desinfeção; os guias FSSC 22000 e BRCGS realçam o quanto estes programas são cruciais para verificar a eficácia da higienização e reduzir o risco de contaminação microbiológica.
  • Água potável e de processo
  • Plano de controlo microbiológico e químico da água em conformidade com a legislação, dado que a água é um veículo crítico de contaminação e um pré-requisito essencial.
  • Estabelecimento de um Plano de prevenção e controlo de Legionella é de extrema importância para evitar surtos relacionados com esta bactéria.
  • A análise de águas residuais são, normalmente, efetuadas na sequência de programas específicos de monitorização e tratamento segundo a licença de descarga estabelecida.
Colheita de amostras para realização de plano de controlo analítico

Como podemos ajudar?

Os principais referenciais de segurança alimentar partilham a mesma base:
Análise de perigos, abordagem preventiva e verificação contínua.
O plano de controlo analítico é a ferramenta que transforma estes princípios em evidência objetiva.

É precisamente neste ponto que os nossos serviços acrescentam valor, apoiando as empresas na definição e elaboração de um plano de controlo analítico completo, alinhado simultaneamente com todos os referenciais e com a legislação aplicável.

Abordagem baseada no risco

O plano identifica perigos relevantes (microbiológicos, químicos, físicos e alergénicos) e define parâmetros e frequências proporcionais ao risco, alinhando-se com os referenciais de segurança alimentar implementados.

Verificação dos pontos críticos

Todos os referenciais exigem provas de que os controlos funcionam.
O plano fornece essa verificação através de análises a:

  • Matérias-primas, produto acabado e ambiente.
  • Higienização, água, manipuladores, ar, superfícies,
  • Conformidade com critérios microbiológicos, contaminantes, pesticidas, aditivos, etc.

Documentação e conformidade

O plano integra requisitos comuns dos sistemas:

  • Matriz de amostragem e ensaios.
  • Critérios de aceitação.
  • Ações corretivas.
  • Registos auditáveis.

Melhoria contínua e cultura de segurança

Ao permitir detetar tendências, reforçar prevenção e suportar decisões, o plano contribui diretamente para a melhoria contínua e para a cultura de segurança alimentar.