Cereulida: novos desafios no controlo da qualidade alimentar
A segurança alimentar enfrenta hoje um desafio que não é detetado pelos métodos microbiológicos tradicionais. A cereulida, uma toxina produzida por determinadas estirpes de Bacillus cereus, está a ganhar destaque após alertas internacionais e recalls de grande escala em 2026, incluindo casos envolvendo fórmulas infantis.
Estes episódios vieram demonstrar uma realidade preocupante: um produto pode cumprir os critérios microbiológicos e, ainda assim, representar um risco para o consumidor.
Para os responsáveis da qualidade, compreender este risco e saber como o controlar tornou-se essencial para proteger o consumidor, cumprir os requisitos regulamentares e salvaguardar a reputação da marca.
O que é a cereulida e porque representa um risco?
A cereulida é uma toxina responsável por episódios de vómitos associados à ingestão de alimentos contaminados. É produzida por algumas estirpes de Bacillus cereus durante o crescimento da bactéria no alimento.
O principal problema da cereulida não é apenas a sua toxicidade, mas sim a sua extrema resistência:
Na prática, isto significa que eliminar a bactéria não é suficiente para garantir a segurança do alimento.
A limitação dos plano de controlo tradicionais
Na maioria dos planos de controlo, a presença de Bacillus cereus é avaliada através de contagens microbiológicas. No entanto, este tipo de ensaio apresenta uma limitação importante:
Este cenário é particularmente crítico em:
Nestes casos, a cereulide pode permanecer dissolvida na fração lipídica, mesmo após a remoção da biomassa bacteriana.
Novas referências de risco definidas pela EFSA (2026)
Em fevereiro de 2026, a EFSA publicou uma avaliação de risco que veio reforçar a necessidade de controlo da cereulida, especialmente em produtos destinados a lactentes e crianças pequenas.
Entre os principais pontos destacam-se:
Estas referências colocam desafios claros aos sistemas de controlo baseados exclusivamente em microbiologia.
A solução da Mérieux NutriSciences
Perante este risco, o controlo da cereulida exige uma abordagem diferente: não procurar a bactéria, mas sim a toxina.
O nosso laboratório realiza a deteção e quantificação de cereulida por LC-MS/MS, através de um método acreditado para as matrizes:

