Escassez na Ucrânia e os resíduos de pesticidas

O impacto da agressão da Rússia nas relações comerciais do agri-food entre UE-Rússia e UE-Ucrânia foi imediato.  A Ucrânia normalmente fornece quase metade dos cereais (52% de importações de milho da UE), vegetais/óleos de sementes de colza (23% e 72% das importações da UE respetivamente) e um quarto de carne de aves importado para a Europa. A Rússia é o maior exportador a nível global de fertilizantes, óleos vegetais, trigo e cevada.

FoodDrinkEurope, que representa a indústria alimentar europeia foi chamada a flexibilizar temporariamente a rotulagem alimentar e controlos oficiais na UE para ajudar empresas a lidar com as mudanças repentinas na disponibilidade de ingredientes.

O World Food Programme alerta que a guerra poderá causar uma crise alimentar global extremamente séria.

A Comissão Europeia, decidiu num comité PAFF (Plants, Animals, Food and Feed) extraordinário, realizado a 11 de março, permitir que os estados membros implementem as suas próprias regras para osníveis máximos de resíduo (MRLs) de culturas importadas. A medida temporária foi implementada como tentativa de aliviar a tensão no setor agri-food da União Europeia; a diminuição do abastecimento de cereais causado pela guerra na Ucrânia poderá afetar, brevemente, a capacidade dos agricultores europeus para alimentar o gado.

Na base da decisão da Comissão, Espanha, realizou uma análise de risco considerando 10 produtos de proteção vegetal e concluiu que 6 deles não representaram um problema de acordo com a legislação atual. Para os restantes 4, o Ministro da Agricultura, pesca e alimentação, concordou em definir um limite de acordo com a análise de risco acima, com a aplicação do Artigo 18 do Regulamento 396/2005, nos níveis máximos de resíduos de pesticidas em alimentação humana e alimentação animal de origem vegetal e animal.

De acordo com esta análise de risco, Espanha flexibilizou as suas normas de importação de milho do Brasil e Argentina para alimentação animal, permitindo que clorpirifos e diclorvos excedam os MRLs, que são considerados seguros para consumidores, pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).  Esta decisão durará seis meses.

Para guiar as nações da UE em tomar decisões sobre os seus requerimentos individuais e temporários, EFSA produziu uma avaliação que alerta os países sobre aumentar MRLs para osclorpirifos e diclorvos.

Clorpirifos, banido dos Estados Unidos e União Europeia desde 2020, está relacionado, com os danos cerebrais e danos no sistema reprodutor, em humanos. A EFSA também considera, fortemente, o diclorvos um risco para a saúde do consumidor.

A Mérieux NutriSciences fornece uma grande variedade de serviços (incluindo análises), para a indústria alimentar, para a quantificação de resíduos de pesticidas, garantindo que estejam de acordo com os regulamentos e normas em vigor.

Os nossos laboratórios são acreditados pela ISO17025.

Referências:

Russia’s war on Ukraine: EU food policy implications

Summary record for meeting of 11/03/2022 of the extraordinary PAFF Committee, section Phytopharmaceuticals – Pesticide Residues

European Commission Questions Spain for Allowing EU-Banned Pesticides. Food Safety News April 11, 2022

INSTRUCCIÓN 6/PCF/2022 DE LA DIRECCIÓN GENERAL DE SANIDAD DE LA PRODUCCIÓN AGRARIA RELATIVA A LOS REQUISITOS ESPECÍFICOS EN LA IMPORTACIÓN DE MATERIAS PRIMAS DESTINADAS A ALIMENTACIÓN ANIMAL COMO CONSECUENCIA DE LA SITUACIÓN EXCEPCIONAL EN UCRANIAPCIONAL EN UCRANIA