Conservantes na indústria cosmética

Os conservantes são agentes antimicrobianos, de origem natural ou sintética, cuja principal função é impedir o desenvolvimento microbiano. São utilizados em produtos cosméticos para assegurar a sua qualidade, impedindo a contaminação por microrganismos, nomeadamente bactérias, fungos e leveduras, prevenindo assim uma possível alteração das suas propriedades.

Porque precisamos de conservantes em cosméticos? 

Embora a proteção antimicrobiana seja a sua função principal, os conservantes desempenham um papel determinante em vários outros aspetos da segurança e estabilidade dos produtos.

Prevenir

  • Contaminação do produto durante a produção ou utilização.
  • Infeções cutâneas ou reações adversas no consumidor.
  • Degradação do produto, alterando o seu odor, cor e textura.

Promover

  • Extensão da vida útil do produto.
  • Contenção na formação de toxinas excretadas através da inibição do crescimento microbiano.
  • Estabilidade na consistência, aparência e odor da emulsão.

Conservantes tradicionais mais utilizados na indústria cosmética

Existem diversos conservantes com perfis de eficácia, solubilidade e compatibilidade distintos. Entre os mais comuns encontram-se:

  • Parabenos.
  • Benzoato de sódio.
  • Sorbato de potássio.
  • Ácido salicílico .
  • Álcool benzílico.
  • Fenoxietanol ou álcool fenetílico.
  • Fenoxipropanol.
  • Ácido Desidroacético (DHA).

Tendências de conservantes “limpos” e naturais

Parabenos: outrora a escolha certa, hoje substituídos por sistemas inovadores que combinam segurança, naturalidade e proteção antimicrobiana sem comprometer a qualidade do produto. Quando se achava que os parabenos eram a melhor escolha entre os conservantes, eis que surgem evidências e preocupações sobre a sua segurança, levando a indústria a explorar alternativas mais seguras e naturais.

A crescente procura por cosméticos “clean” tem impulsionado o desenvolvimento de sistemas de preservação baseados em ingredientes de origem natural, como extratos vegetais, óleos essenciais, fenóis e polifenóis. Estes compostos têm ganho popularidade devido à perceção de maior naturalidade e sustentabilidade, sendo cada vez mais utilizados por marcas que pretendem reduzir a dependência de conservantes sintéticos tradicionais. No entanto, apesar do seu potencial antimicrobiano, muitos conservantes naturais apresentam limitações importantes, como um espectro de ação mais estreito, menor estabilidade ao longo do tempo e eficácia muito dependente do pH da formulação, exigindo um desenho técnico rigoroso para manter a segurança microbiológica do produto.

Para ultrapassar estas limitações, a indústria tem explorado a utilização de “boosters” de preservação — ingredientes que, embora não atuem como conservantes principais, potenciam a eficácia antimicrobiana de outros componentes, permitindo reduzir as concentrações finais de conservantes. Os boosters mais usados na indústria hoje são: Caprylyl Glycol, Pentylene Glycol, Ethylhexylglycerin, Glyceryl Caprylate, Gluconolactone, Sodium Phytate e Sodium Levulinate, frequentemente combinados com ácidos orgânicos, fermentos antimicrobianos e quelantes biodegradáveis para criar sistemas de preservação “clean” mais eficazes, especialmente indicados para formulações naturais ou com restrições de rotulagem. Estas abordagens permitem equilibrar naturalidade, segurança e desempenho, respondendo às expectativas do consumidor sem comprometer a qualidade do produto. 

“Controvérsia em torno dos parabenos:
Estratégias alternativas para o uso de conservantes em cosméticos e produtos de cuidados pessoais”

Veja aqui o artigo 

Como pode a Mérieux Nutrisciences apoiar a sua empresa?

Na Mérieux Nutrisciences dispomos de várias técnicas e meios de quantificação de conservantes, que permitem assegurar a conformidade dos produtos cosméticos com os requisitos regulamentares e garantir a sua segurança microbiológica. Entre os métodos mais utilizados, destacam-se as técnicas cromatográficas que permitem identificar e quantificar com elevada precisão diferentes conservantes, mesmo em misturas complexas.

Todos os conservantes permitidos pela regulamentação Europeia devem ser seguros para a saúde humana, sendo submetidos a uma avaliação toxicológica rigorosa. A quantificação das suas concentrações máximas e condições de uso são definidas pelo anexo V do Regulamento (CE) 1223/2009, que atesta a utilização de cerca de 60 tipos de conservantes, considerados seguros para uso humano dentro de determinados limites de concentração e tipologia de produto.
Também, segundo este Regulamento, os produtos cosméticos devem ser submetidos a um ensaio de eficácia antimicrobiana dos conservantes – Challenge Test – saiba mais sobre a nossa metodologia para o ensaio Challenge Test com tecnologia TEMPO®.

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