Logística Reversa e a Política Nacional de Resíduos Sólidos

Capture of a serene mountain valley at sunrise with lush rice paddies and rustic huts.

Certamente você já ouviu falar em Logística Reversa. Mas você sabe o que é, de onde surgiu e como funciona?

Em linhas gerais a logística reversa é definida pela PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos, como “um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos”. Em outras palavras, é o fluxo inverso do ciclo de vida dos produtos. Ou seja, como um produto final volta a ser matéria prima ou entra em um processo de reciclagem ou de reuso, para reduzir seu impacto ambiental de descarte.

Dentre os princípios da prática de logística reversa estão:

  • Prevenção e precaução de dano ambiental no processo produtivo
  • Critérios de redução de danos de atividade poluidora
  • Visão sistêmica com uso de tecnologias que viabilize variáveis socioeconômicas
  • Desenvolvimento cultural
  • Práticas sustentáveis
  • Ações de preservação à saúde pública
  • Eficiência no processo produtivo com parâmetros ecologicamente corretos
  • Cooperação integrada entre setores diversos da sociedade
  • Reconhecimento da necessidade de gestão de resíduo sólido com valor social e fator gerador de receita

Nos mais diversos setores a prática da logística reversa, além do cumprimento das exigências legais, têm promovido ganhos financeiros significativos, pautados na agenda de sustentabilidade da gestão ambiental corporativa.

O ponto de partida da Logística Reversa (LR) é o produto final

Dentro da lei nº 12.305/10 foram definidos parâmetros ambientais em que se determinou, entre outras coisas, a corresponsabilidade de fabricantes, distribuidores, importadores, comerciantes e consumidor final dentro do ciclo da logística reversa.  

Muitas empresas, em conformidade com a PNRS, em seus respectivos PGA – Plano de Gestão Ambiental, colocam em prática os parâmetros da logística reversa. 

  • Natura – há mais de 10 anos implantou o programa de Logística Reversa, com a prática de reutilização de embalagens e, nesse período, já investiu em diversas outras ações para reduzir o impacto dos produtos da marca ao meio ambiente.
  • Philips – a marca fez uma revisão de suas atividades e programas de reciclagem em 2008, quando criou  um projeto voltado para o consumidor final, em que viabilizou o descarte adequado dos equipamentos obsoletos de seus clientes.
  • HP – dentro das ações práticas de logística reversa da marca, reutilizam plástico e outros tipos de resíduos dos próprios cartuchos descartados, para a produção de novos cartuchos.
  • Ambev – nem só de cerveja, refrigerante e água vive o caixa da gigante de bebidas. Em seu programa de logística reversa, a empresa já faturou mais de R$ 80 milhões de reais, fruto de subprodutos gerados pela política de redução de impactos ambientais.
  • O Boticário – a primeira medida de logística reversa da marca vai fazer 15 anos. Começou com a ação “Boti Recicla” coletando  embalagens e hoje a indústria cosmética tem diversos programas que fazem parte do braço socioambiental do grupo.

Por fim, outros exemplos de empresas, de diversificados segmentos como: Santander, Renault, Denovo, Estre Ambiental, Tetra Pack, Bridgestone, Unilever entre tantas outras, atuam com ações ambientais em conformidade com a logística reversa em sua política de gestão. Tais ações reduzem custos operacionais, otimizam recursos e geram receita agregando valor à marca.

Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Logística Reversa

A Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei nº 12.305/10 – estabelece parâmetros nacionais para minimizar os impactos ambientais negativos causados pelos variados tipos de lixos, resíduos e passivos ambientais gerados especialmente pela indústria. 

Vale ressaltar que os parâmetros exigem tanto dos setores públicos quanto  privados medidas transparentes no gerenciamento desses resíduos; não se tratando de uma lei exclusivamente direcionada à indústria. Os resíduos urbanos gerados pelo aumento do consumo (insustentável) nas cidades, tem amplo espaço e ações contempladas na PNRS, que trata todos como responsáveis ou corresponsáveis pela geração de lixo e descarte incorreto no meio ambiente.

Na Mérieux NutriSciences um dos projetos de logística reversa promove o reaproveitamento de 90% das caixas de isopor utilizadas nas coletas.

Impacto Ambiental

As caixas usadas nas coletas são de isopor por ser o material indicado para preservar os parâmetros das amostras. Alguns fabricantes dessas caixas consideram que o prazo de decomposição da mesma é indeterminado, ou seja, não é biodegradável; não se desintegra, não desaparece no ambiente. 

Na teoria pode durar para sempre, porém o isopor é um derivado de plástico e tende a se degradar aos poucos. Se descartado incorretamente, com o passar do tempo, o plástico do isopor tende a se quebrar, dando origem a microplásticos; que acabam principalmente nos rios, lagos e oceanos.

“Reutilizando as caixas de isopor no processo de transporte de amostras, evitamos o descarte de um material e a compra de um novo produto. Essa prática além de reduzir o custo também reduz a quantidade de matéria-prima, água e energia necessária para a fabricação de novos produtos e reduz a poluição.”, afirmou a líder do time de logística e gerente de Operações da Mérieux NutriSciences, Valéria Castilho.

A PNRS prevê ações de proteção aos recursos naturais, prevenção e redução da geração de resíduos, com foco em propostas sustentáveis relacionadas às novas tecnologias, mudança nos hábitos de consumo, entre outras.

Ferramentas, instrumentos e objetivos da Logística Reversa prevista na PNRS

Existe dentro da PNRS um conjunto de ferramentas e instrumentos que orientam e direcionam as ações das empresas para conseguir viabilizar o aumento exponencial da reciclagem de seus resíduos, bem como a reutilização dos mesmos, com objetivo a dar a destinação correta reduzindo o volume de passivos ambientais.

Entre os instrumentos que constam na PNRS estão:

  • Coleta seletiva
  • Sistemas de logística reversa
  • Implantação de tecnologias com uso de fontes renováveis
  • Inventário dos produtos para que, com esta relação, seja implementada uma política de responsabilidade compartilhada dentro do conceito de logística reversa do ciclo de vida dos produtos.
  • Entre outros

São 19 os instrumentos descritos na PNRS, adaptáveis a cada modelo de negócio, para que as empresas atinjam os objetivos, como:

  • Incentivo econômico no desenvolvimento de produtos e serviços pautado em padrões sustentáveis
  • Aporte em pesquisa, ciência e tecnologia como forma de incentivo para a inovação no campo de energias limpas e renováveis
  • Mecanismos para reduzir a geração de resíduos (em especial os de classe perigosa)
  • Incentivos fiscais
  • Programa de gestão ambiental integrada 
  • Investimento na formação e capacitação técnica para gerenciamento de resíduos

A lei corrobora com a consciência de responsabilidade dos geradores de resíduos, sejam pessoas físicas (resíduos residenciais) às jurídicas; cada qual em seu ramo de atuação geradora de passivos.

Setores que têm obrigação legal de estruturar e implementar o sistema de logística reversa

  • Importadores, fabricantes, comerciantes e/ou distribuidores de: “agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes; lâmpadas fluorescentes (vapor de sódio e mercúrio e de luz mista); produtos eletroeletrônicos e seus componentes”.

De acordo com a PNRS, dentro dessa estrutura de LR entram não só os resíduos como também suas respectivas embalagens. Nessa estrutura são consideradas as ações que envolvam a participação da sociedade civil; afinal, como já foi comentado, existe sempre uma co-responsabilidade na relação da cadeia de produção e consumo. Ou seja, o Sistema de Logística Reversa tem em sua essência uma natureza participativa, que proporciona encarar os desafios da gestão e gerenciamento de resíduos com esse olhar de corresponsabilidade.

Afinal, o ciclo reverso, ou seja, a reintrodução desses resíduos, em forma de nova matéria prima, subproduto ou qualquer outro viés, demonstra o quanto a logística reversa na cadeia produtiva é fundamental para a vida e a saúde no planeta.

É possível resumir o objetivo da logística reversa como: “encontrar o equilíbrio da cadeia produtiva de forma economicamente viável por meio de um processo ambientalmente correto, fomentando uma vida socialmente justa.” A Mérieux NutriSciences apoia este conceito!