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19 April 2018
|   NOTíCIAS LOCAIS
A contaminação por Salmonella de produtos alimentares de origem vegetal deve ser seriamente considerada.

De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), o número de casos de intoxicação relacionados com Salmonella permanece num nível elevado, sendo que a tendência de queda que se verificava estabilizou nos anos mais recentes. O consumo de produtos alimentares de origem vegetal como, por exemplo, frutas, vegetais, nozes ou sementes, entre outros representa um risco substancial de intoxicação.

A intoxicação alimentar por Salmonella representa um sério risco para a saúde humana.

Segundo a EFSA, Salmonella spp é um grupo de bactérias patogénicas normalmente encontradas nos intestinos de aves e mamíferos saudáveis. A bactéria Salmonella pode causar uma infeção nos humanos, chamada salmonelose, que é uma zoonose. As zoonoses são doenças que afetam os animais e que podem de ser transmitidas para o ser humano em certas condições. A sua ocorrência está associada, essencialmente, ao consumo de alimentos contaminados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas mais comuns de uma infeção por Salmonella são a febre, cólicas abdominais, diarreia, náuseas e, por vezes, vómitos. A população de risco  pode ficar sujeita a desidratação e esta pode tornar-se fatal. Assim estas bactérias potencialmente prejudiciais podem levar a hospitalizações e, nos casos mais graves, à morte tanto em crianças pequenas como em idosos. Os sintomas de intoxicação por Salmonella geralmente ocorrem entre 6 a 72 horas após a contaminação e duram entre 2 a 7 dias.

O relatório anual da EFSA sobre zoonoses, agentes zoonóticos e surtos de origem alimentar afirma que a Salmonella foi a principal causa de contaminação de origem alimentar na União Europeia (UE) em 2016, com 1.067 surtos associados. Com 94.530 casos em 2016, a salmonelose é a segunda doença mais transmitida por produtos alimentares na UE. O número de casos manteve uma trajetória descendente até 2014, mas estabilizou entre 2014 e 2016 (+ 3%).

Encontrar Salmonella em produtos alimentares de origem vegetal é frequente

O RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed) é um sistema gerido pela Comissão Europeia para a partilha de informação sobre notificações, alertas e retiradas do mercado de produtos alimentares no espaço europeu.

De acordo com a base de dados do RASFF, os produtos alimentares de origem vegetal são frequentemente associados a contaminações com Salmonella.

A título de exemplo, em 2017, foram registados 95 processos de retirada de produtos do mercado relacionada com Salmonella em frutos secos e sementes (+197% em relação a 2016). Este aumento deveu-se, principalmente, a uma enorme recolha de sementes de sésamo, num total de 83 notificações em 2017 (+219%), das quais 41% provenientes do Sudão, 24% da Índia e 22% da Nigéria. A Comissão Europeia afirmou que estas sementes recolhidas representavam um sério risco para a saúde dos consumidores. A espécie Salmonella notificada nas sementes de sésamo é a Salmonella enterica com vários serotipos isolados, como Bareilly, Bergen, Kinondoni e Leeuwarden.

Podemos controlar a presença de Salmonella nos produtos de origem vegetal?

Os produtos alimentares de origem vegetal podem estar naturalmente contaminados com Salmonella ou Escherichia coli. De facto, as bactérias patogénicas podem encontrar-se em solos ou na água contaminada.

Para limitar a ocorrência de intoxicações alimentares por Salmonella devem tomar-se as seguintes medidas:

  • Selecionar fornecedores que apliquem as Boas Práticas Agrícolas (BPA) 
  • Aplicar processos validados de descontaminação dos frutos secos e das sementes (tratamento térmico), para reduzir a contaminação por Salmonella.
  • No caso de frutas e vegetais destinados à venda a granel e que não podem ser tratados termicamente, devem ser lavados com água fria corrente, uma vez que permite remover algumas das bactérias patogénicas presentes à superfície. Note-se, no entanto, que alguns microrganismos estão muito bem ligados ou vivem em comunidades coesas, designados por biofilmes, especialmente em frutas e vegetais com superfície áspera.
  • Os utensílios utilizados na preparação e transformação de alimentos crus devem ser lavados cuidadosamente para evitar a contaminação cruzada.

A EFSA afirma também que os operadores do setor alimentar devem implementar as medidas medidas necessárias para assegurar a segurança alimentar, como as Boas Práticas de Higiene (BPM), Boas Práticas de Fabrico (BPF) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP) para prevenir ao máximo uma intoxicação alimentar.

O Regulamento (CE) nº 2073/2005 estabelece critérios de segurança alimentar para produtos prontos a consumir, nomeadamente para frutas e legumes pré-cortados, sumos de fruta e legumes não pasteurizados e sementes germinadas. A pesquisa de Salmonella tem que ser realizada nestes produtos com base em cinco amostras de 25g.

O método de referência para a pesquisa de Salmonella em alimentos é a ISO 6579:2017. Esta norma é aplicável a produtos destinados ao consumo humano, à alimentação animal, no ambiente de produção (controlo higio-sanitário de manipuladores e superfícies), bem como em matérias-primas.
O artigo 5º sobre regras específicas em matéria de testes e amostragem, do Regulamento (CE) n.º2073/2005 de 15 de Novembro (e alterações, nomeadamente o Regulamento CE nº 1441/2007), no parágrafo 5 refere que: “É aceitável a utilização de métodos de análise alternativos se esses métodos forem validados em função do método de referência fixado no Anexo I e se for utilizado um método desenvolvido pelo próprio, certificado por terceiros em conformidade com o protocolo estabelecido na norma EN/ISO 16140 ou outros protocolos idênticos internacionalmente aceites."

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Referências