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Os químicos presentes nos produtos alimentares (excluindo os nutrientes) são considerados contaminantes e podem ocorrer naturalmente ou ser introduzidos acidentalmente durante o processo de produção e/ou confeção (cozinhar, fermentar, refinar, etc.).

Cozinhar a altas temperaturas, por exemplo, pode gerar o aparecimento de diversos contaminantes: MCPD e ésteres glicidílicos, acrilamida, PAHs, entre outros.

Ésteres de 3-MCPD, ésteres de 2-MCPD e ésteres de glicidol

Ésteres de 3-MCPD (3-monocloropropano 1,2-diol), 2-MCPD (2-monocloropropano 1,2-diol) e ésteres glicidílicos são contaminantes alimentares que se formam naturalmente durante a refinação de óleo a altas temperaturas (>200°C), especialmente nos óleos vegetais refinados.

A sua concentração varia consoante o tipo de óleo e o tipo de processamento utilizado; no entanto, é maior nos óleos e gorduras de palma (EFSA, 2016) que são amplamente utilizados na indústria alimentar.

Os ésteres glicidílicos e os MCPD estão presentes em alimentos processados de grande consumo como óleos e gorduras vegetais, snacks, bolachas, biscoitos, cereais do pequeno almoço, produtos de panificação, batatas fritas, carne fumada sendo que também estão presentes no leite em pó e em alimentos para crianças (EFSA, 2016).

A presença desses ésteres despertou grande preocupação dado que, uma vez ingeridos, são completamente transformados (≈100%, segundo a EFSA) nas suas formas livres: 3-MCPD, 2-MCPD e glicidol, que são tóxicos e cancerígenos.

 

Formas livres de 3-MCPD, 2-MCPD e glicidol

O 3-MCPD e o glicidol são genotóxicos e cancerígenos enquanto que a avaliação toxicológica do 2-MPCD ainda decorre.

O 3-MCPD foi identificado em molho de soja e em proteína vegetal hidrolisada (intensificador de sabor) e o Regulamento (CE) nº 1881/2006 prevê níveis máximos limitados a essas matrizes.

No entanto, os novos dados sobre a presença destes ésteres numa ampla gama de alimentos de grande consumo, que se transformam posteriormente nas suas formas livres, aumentam ainda mais a preocupação com a saúde publica.

A Comissão Europeia tem trabalhado há muito para limitar a presença de 3-MCPD e de ésteres glicidílicos nos alimentos.

O Regulamento (UE) nº. 2018/290  de 26 de fevereiro 2018 altera o Regulamento (CE) nº. 1881/2006 sobre os níveis máximos de ésteres glicidílicos em óleos vegetais e gorduras, em fórmulas para lactentes e de transição, em alimentos para fins medicinais específicos destinados a lactentes e crianças jovens.

No anexo do Regulamento (CE) nº. 1881/2006, a secção 4: 3-monocloropropano-1,2-diol (3-MCPD) passa a ter a seguinte redação:
Secção 4: 3-monocloropropanodiol (3-MCPD) e ésteres glicidílicos de ácidos gordos 

Regulamento 2018_290jpg

Prevê-se brevemente uma atualização dos limites e campos de aplicação do 3-MCPD e dos seus ésteres, sobre os quais a EFSA e a JECFA (FAO/WHO) chegaram finalmente a um acordo sobre a sua toxicologia e sobre os possíveis riscos e efeitos nocivos sobre a saúde dos consumidores.

A Mérieux NutriSciences tem uma longa experiência na gestão dos contaminantes em alimentos e oferece análises acreditadas para a determinação de:

  • 2-MCPD (2-monocloropropanodiol)
  • 3-MCPD (3-monocloropropanodiol)
  • Ésteres de 2-MCPD
  • Ésteres de 3-MCPD

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